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amor impossível

Um dia qualquer, Carlos Eduardo leva a sua pimpolha ao infantário e na entrada encontra-se com uma mãe que leva o seu filho. Ela era bela e linda, tinha os olhos azuis da cor do mar, era loura como um campo de trigo florido, as suas pernas eram finas.
- Quem é aquela mãe ali? Pergunta Carlos Eduardo a Mariana.
- É a mãe do Miguel.
Carlos Eduardo deixa Mariana e dirige-se à mãe do Miguel.
- Bom dia!
- Bom dia para si também
- O seu filho anda aqui.
- Anda.
- A minha filha também anda, parece que o seu filho e a minha filha são grandes amigos.
- Ainda bem que sim, estou com pressa que tal combinarmos um café, um dia destes.
- Combinado.
Passado uns dias, depois de levarem os filhos ao infantário foram tomar o café, que tinham combinado.
- Eu perguntei ao meu filho sobre si.
- Ai sim! Ele falou bem de mim, suponho eu.
- Nem bem, nem mal, falou mais da sua filha, penso que daqui a uns anitos vai sair dali um namorico.
- Também, penso que sim.
- Sabe é bonito ver a inocência dos nossos filhos, enquanto nós vivemos cheios de preocupações.

- Tem toda a razão, vivemos cheios de preocupações, vivemos a 1000 à hora.
- No meu casamento ando com problemas, o meu filho ressente-se disso, a amizade que ele tem com a sua filha é o balão de oxigénio que o faz esquecer destes problemas.
         Eu aqui a falar dos meus problemas, nem me apresentei Catarina.
- Carlos, e pode falar comigo à vontade dos seus problemas.
-Já não dá mais para aguentar, antes era só de vez em quando as discussões, agora é todos os dias, vou pedir o divórcio, não por mim, mas sim pelo meu filho.
- A Catarina é uma mulher linda, não percebo porque o seu marido trata-a assim.
- Obrigado, pelo elogio, ao princípio ele era carinhoso, mas depois com o tempo ficou assim.
- A Catarina merece um homem que a trate como deve ser tratada porque é linda e é bela como amanhecer.
Passado algum tempo, os dois se envolveram num romance.
Encontravam-se cada vez mais, sempre que levavam, os seus pequenos ao infantário. A seguir os dois, cada um em seu carro, dirigiam-se para um local com vistas para o rio e aí paravam para se beijar, para sentir o calor dos seus corpos. Carlos afagava os cabelos de Catarina.
-  Si l’amour se trouvait sur un champ de bataille, je me battrais pour toi, je combattrais tous les ennemis pour t'offrir, tout mon amour. je t’aime…
-   Estás a querer-me impressionar.
- Claro que não. Tens uns cabelos tão macios, Catarina.
- E tu tens um sorriso maroto.
- Se pisares as brasas por um segundo parece uma eternidade, se estiver ao teu lado uma hora essa hora passa num instante, esta é a teoria da relatividade.
Ah, ah, ah, só me fazes rir!
Os dois riram-se e deram grandes risadas.
Uns dias depois encontraram-se à entrada de um hotel, subiram os dois bem juntinhos, dentro do elevador, beijaram-se, Carlos passa a mão pelo cabelo macio de Catarina, o elevador chega ao destino.
Os dois entraram no quarto beijando-se loucamente, mas Carlos caiu em si.
- Não, posso fazer isto, sou um homem comprometido.
- Eu também não posso, sou a mãe do melhor amigo da tua filha.
- Nunca esquecerei, esses teus olhos azuis, estarás sempre no meu coração.
- Vamos estar sempre em contacto, os nossos filhos são grandes amigos e quem sabe até namorados um dia.
Saíram os dois do hotel juntos, como dois grandes amigos. Deram um último beijo de despedida.


João Telo

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